terça-feira, 4 de maio de 2010

O Bufo

Olá, caras bonitas mas que podiam ser ainda mais bonitas se não usassem maquilhagem.
Porque é que a laranja, o kiwi, a banana ou o abacaxi não precisam de ser lavados? O que é que eles têm de especial? Porque é que há esta distinção na fruta entre as laváveis e as não laváveis? Depois desta pergunta filosófica vamos ao que interessa.
Numa altura em que se fala de escutas, escândalos políticos, crise financeira e das mamas da Maya resolvi trazer para ser entrevistado Zé tó, o maior bufo de Portugal.
- Zé tó, em que consiste exactamente ser bufo?
- Boa tarde, antes de mais. E desde já dizer que estou muito aborrecido por não me ter desejado boa tarde. Bem, ser bufo é essencialmente saber bufar. Eu basicamente encho os pulmões de ar e depois expiro, bufando.
- Então você não denuncia os factos mais escandalosos da nossa sociedade?
- Nem pensar, faço algo muito mais interessante, bufar.
- Já que fui enganado, continuemos com profissionalismo a entrevista até ao fim. Há quanto tempo é bufo?
- Eu já bufo desde os meus 10 anos de idade.
- E como tudo começou?
- Eu estava, como já disse com os meus 10 anos, em casa no aniversário de um primo colombiano. Na altura de apagar as velas antecipei-me ao meu primo e soprei as velas com grande qualidade. A partir daí a minha mãe viu o meu potencial e eu pensei: “De facto tenho talento para isto. Vou aproveitar.”
- E faz dessa a sua profissão?
- Sim, claro. Eu abri uma loja de bufos onde sou contratado para ir soprar as velas a aniversários e a Fátima no fim da procissão das velas. De maneira que é assim que ganho a vida.
- É feliz?
- Não, sou português.
- Acho que essa sua intervenção foi completamente despropositada e com um grau de inoportunidade que eu fico chocado. E é desta forma que terminamos a entrevista.

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